It´s not about the money

Uma das melhores partes de ter filhos é a diversão que eles nos proporcionam, certo? Outro dia, na saída da escola, falei para a Manu tentar adivinhar a surpresa que tinha em casa para ela. E ainda dei a dica: “começa com a letra E!”. Na hora, ela disse:

- EME E EME!

Também me falou que gostaria de viajar para um lugar bem longe e bem frio, chamado PAULO NORTE. O raciocínio foi brilhante, já que ela disse que mora em SÃO PAULO, mas queria conhecer as “cidades parecidas”: PAULO NORTE E PAULO SUL.

Essa cabeçudinha querida é capaz de me arrancar gargalhadas inesperadas com essas conversas, mas também me faz viajar no tempo, fazer com que eu me sinta uma mãe de adolescente quando ela canta, como se estivesse na balada, a música “It´s not about the money”: “Mamãe, eu adoooooro essa música! Toca lá na minha ginástica olímpica!”.

Também é capaz de me arrancar lágrimas quando nos sentamos juntas para ver o álbum de quando ela nasceu, fotos na maternidade, os primeiros dias de vida em casa, as visitas, enfim, um álbum com fotos em ordem crescente desde que veio ao mundo. O comentário dela:

- Passa muito rápido, né?!

E em seguida, me abraçou e chorou sentida de tudo, pois queria voltar a ser bebê para poder passar mais tempo comigo, ou melhor, ficar o tempo todo no colo.

Com a sensibilidade e maturidade que a definem, me pegou chorando pela casa, um dia em que eu estava bem chateada. Ela sabia o motivo do meu choro e conseguiu me consolar numa verdadeira inversão de papéis, difícil saber quem era a mãe e a filha naquele momento.

É muito divertido, mas às vezes também é assustador. Acho que é o tempo. Eles deixam de ser bebês e passa rápido mesmo, minha filha. Vão adquirindo personalidade, mostrando quem são e o que vieram fazer e trazer para a vida da família. Me dei conta recentemente que, no mês que vem, ela vai completar 5 anos! Uma mãozinha cheia de dedos representando todo o seu tempo de vida. Tão pouco e tão muito. Eu morro de curiosidade de ler os capítulos seguintes dessa história, mas às vezes gostaria que o livro parasse aí…

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Sobre o orfão do barril e os palhaços

Se há uma coisa fácil de se acostumar com a chegada da maternidade é identificar semelhanças do pai e da mãe nos filhos. Não é apenas fácil, é uma delícia! Melhor ainda quando alguém te diz: “ela é a sua cara!” ou “ela tem o seu jeitinho”. A-DO-RO!!

Então, já que é assim, vamos torcer para que os filhos sejam versões “melhoradas” dos pais! Não é dessa forma que deve ser? As gerações atuais mais evoluídas do que as passadas?

*****

Pois bem.

Acho que fiz milagres quando comparo a minha alimentação à dos meus filhos. Muito bem, maravilha, mas não é só por aí que eu tento e me esforço.

Já declarei que detesto Chaves e que, aqui em casa, é proibido. Já me perguntaram os meus motivos e respondo agora: acho de um mau gosto terrível! Claro que eu cresci assistindo ao Chaves e adorava, principalmente os episódios em que eles vão para Acapulco, hihihi, e aquele dos desenhos do pão com ovo ou a máquina de escrever de uma tecla só, mas, gente, assistindo agora é que eu vejo: é muito ruim! E não há palavra que descreve melhor do que “tosco”, é isso, o Chaves é bem tosco. Fora que tem uma estética de cenário, personagens e figurino que não me agrada em nada. Eu podia, mas os meus filhos não podem. Pelo menos dentro de casa. Até porque, eles imitam tudo. Ver um filho imitando a dancinha dos Backyardigans, cantando a musiquinha da abertura é fofo, mas quando vi os meus três filhos imitando o choro do Kiko e o da Chiquinha, eu quis sumir! Então, proibi. Simples assim: tosco e de mau gosto.

Com os palhaços Patati & Patatá acontece algo parecido. Já existia na “minha época”, mas ao contrário do Chaves, eu não gostava e não assistia, aquela dupla me irritava. Portanto, para quê eu vou resgatar algo irritante do meu passado e apresentar aos meus filhos? Aliás, já não basta a Galinha Pintadinha no quesito irritação? Aliás, a Galinha Pintadinha não é a versão galinácea dos palhaços?

Então, novamente, palhaços proibidos em casa. Chego quase a ter pena do Joaquim e do Pedro, que foram à casa de um amiguinho viciado nos palhacitos, voltaram encantados com tudo o que viram da dupla, de DVDs a brinquedos e fantasias. Já faz um bom tempo e eles falam na coleção Patati & Patatá  do amigo até hoje. Eu só faço um “aham” e mudo de assunto, sem culpa e sem stress.  (Momento confissão: os palhaços estão na categoria “preconceito de mãe”, pois eu não assisti, mas não gosto e não vou com a cara, sacam?!).

Toda essa bobagem para falar que o meu ideal de maternidade é criar filhos melhores do que os próprios progenitores. Acho lindo quando um dos meus três vai à casa de alguém e me contam que ele comeu todo o brócolis (score!!!), mas também me derreti com os 2 últimos acontecimentos.

Manuela estava na casa da minha mãe e, de repente, começou um Chaves na TV. Ela lá toda concentrada brincando, sem dar muita atenção para a televisão, mas identificou a musiquinha (tosca!) e saiu gritando pela casa com as mãos cobrindo os olhos: “Chaaaaaves! Cha-ves! Começou o Chaaaaves, eu não posso ver, tira, muda!”.

E o Joaquim, em um passeio a uma livraria com a madrinha, com direito de escolher um livrinho de presente, ficou com os olhinhos brilhando diante de um livro dos palhaços e até suspirou: “olhaaa, é do Patati & Patatá… É, mas a minha mãe não gosta, não posso comprar esse!”.

*****

Ai, que delícia, essas crianças só me trazem alegrias e orgulho!

 

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O dilema da mãe da revista e de todas (?) nós

Estava eu em um momento de extrema importância da minha vida: a leitura zera QI da semana. Compromisso sério entre eu & eu mesma, tanto que até registrei nesse tal de Instagram (camiladuartegarcia). Depois de terminar uma revista e concluir que eu preciso de sapatos novos, passei para a revista mais “cabeça”, que tem mais textos e menos “figuras”. É a Claudia, antiiiiga companheira e que, neste mês, traz a atriz Claúdia Abreu  na capa, aquela moça que quanto mais velha fica e mais filhos tem, mais bonita me parece.

Há uma seção chamada “Dilema de Mãe” em que uma leitora faz uma pergunta e um especialista responde. A pergunta da vez era: “Sempre brinquei com meu filho de 2 anos ao chegar do trabalho, mas fui promovida e ando esgotada. Explico a ele que tudo mudou?”. O assunto não é nenhuma novidade nesse verdadeiro dilema maternidade x carreira, mas uma frase me chamou a atenção: “A criança pequena não fica brava porque a mãe está no trabalho; ela não tolera que a mãe esteja em casa e não lhe dê atenção.”.

Ouch!

Eu entendo a frase como um abraço nas mães que trabalham fora, mas para as que ficam em casa com os filhos, como é o meu caso, é um choque de realidade.

Eu tenho exatamente essa sensação descrita na frase. Se eu estou em casa, tenho que estar disponível para as crianças, aqueles serzinhos extremamente focados em seus próprios umbiguinhos. Não há motivo para atender o telefone, ou atender o porteiro que veio checar o vazamento do lavabo, ou para fazer a lista do supermercado, ou para tomar um café, ou para sentar no computador e fazer tudo o que a internet nos oferece e consome, ou para jogar Draw Something, ou para assistir 15 minutos de televisão, ou até para fazer xixi! Não pode, não dá, eles não deixam! E isso nada tem a ver com educação, criação ou comportamento, é uma “exigência” dessa faixa etária. É como se eles entendessem que quem está com eles está de fato a total disposição, e trata-se da fase de maior egocentrismo na vida do ser humano, do meu ponto de vista. Se você está por perto, tem que sentar e brincar, não basta estar ao lado vendo TV enquanto uma criança brinca sozinha. Claro que há (raros) momentos em que isso acontece, mas não é o mais comum. Comum mesmo é ouvir “mãe”!”, “mamãe!”, “manhêêêê” o tempo todo em que estiver com eles. (É comum para alguém andar pela casa com filho pendurado em uma das pernas? Me digam que sim, por favor!).

Algumas estratégias são possíveis e interessantes para que a gente possa fazer as nossas coisas do dia-a-dia e o básico é permitir que as crianças participem e ajudem na medida em que a idade deles possa acompanhar. Manuela tem me ajudado a elaborar a lista de supermercado e anota tudo no modo “escrita espontânea” mais lindo do mundo. Os três me ajudam a fazer o lanche, a arrumar a mochila, a separar o uniforme e até a arrumar armários!

O resto a gente deixa para o horário em que eles estão na escola ou dormindo, principalmente pelo que lembrou a especialista da coluna “Dilema de Mãe” deste mês: “Até os 7 anos, a criança vive um período crítico do desenvolvimento psíquico. O convívio com os pais consolida valores que irá carregar pela vida inteira.” E, mais um abraço: “O trabalho materno hoje traz um valor positivo para a autoestima infantil. Os pequenos se ressentem da ausência da mãe, mas, por volta dos 7 anos, orgulham-se por ela ser uma profissional bem-sucedida”.

Seja lá qual for o formato de maternidade adotado e escolhido, nunca é ou será fácil equilibrar e conciliar.

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Pode escapar do banho?

Você chega em casa no domingo à noite, muito bem acompanhada da sua extensa família, obviamente, e nem precisa descer do carro para avaliar o fim de semana. Basta abrir a porta, esperar aquela luzinha acender e é ali mesmo que o balanço do sábado e domingo será feito e poderá ter uma idéia da diversão e da quantidade de açúcar que os seus filhos ingeriram.

São inúmeros casacos esquecidos no carro, afinal esse tempo doido de São Paulo até nos permite sair de casa de camisetinha, mas no fim da tarde o casaco se faz muito necessário. Milhares de convites espalhados pelo chão do carro: festa em buffet, em casa e no parque. Balas, chocolates, pirulitos e seus respectivos papéis de embrulho: alguns intactos, outros rasgados, mordidos e melados. Pedaços infinitos de celofane que um dia embrulharam as lembrancinhas. Partes, restos e pedaços das tais lembrancinhas, que podem ser ecológicas e/ou sustentáveis, puro plástico, puro açúcar, pura inutilidade, puta legal, mas quebra puta fácil ou putaqueopariu, isso é bem mais caro do que o presente que eu levei para o aniversariante!

Daí, você pega o carrinho de supermercado para subir tudo para o seu apartamento (ou não…) e deixa o carro no melhor lava-rápido da cidade antes mesmo de ir trabalhar na segunda-feira.

Depois de tudo isso, o nível de exaustão é tamanho que só a Mary Poppins para salvar, mas, não. Tem que ter o segundo round do banho, afinal as crianças estão imundas, meladas e suadas. Que mãe coloca os filhos para dormir dessa maneira? E vão começar a semana sujos? Dá azar!

Então, toca todo mundo para o banho. Tudo poderia ser mais fácil se a sua filha não fizesse uma cena, pois quer tomar banho com o braço para fora, sem que caia um pingo de água na linda (ahãm…) tatuagem que ela fez em uma das festas e pre-ci-sa mostrar para os amiguinhos da escola na segunda-feira. A primeira coisa que lhe vem à mente é que as professoras também verão a tatuagem e concluirão que você é uma mãe porca, que chegou com os filhos suados e tatuados no domingo à noite e nem se deu o trabalho de, pelo menos, passar um lencinho umedecido para “disfarçar” a sujeira.

Que se dane! Deixa a menina ser feliz e tatuada, mas passa uma escovinha nesses dedos para tirar a sujeira debaixo da unha!

Boa semana a todos!

*****

(Ó, eles tomaram banho, viu?! Manu só não lavou a mão da tatoo de borboleta, mas o resto tá limpinho e cheiroso!).

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Resultados, consequências e sequelas

Nota 1: T.O.C. = Transtorno Obsessivo Compulsivo.

Nota 2: esse post contém humor e exageros.

Nota 3: o encaminhamento ao psiquiatra não se faz necessário.

*****

A verdade é que essa história de mãe período integral traz certos resultados, consequências e sequelas para os meus filhos.

Começando pela Manu, que às vezes mais parece uma versão caricata minha, uma mãe exagerada, tipo uma drag queen. Ela passa o dia com um caderninho e um lápis na mão fazendo listas de supermercado e supervisionando tudo o que falta em casa. Também fica enfiada na cozinha e ajuda a elaborar o cardápio da semana, coisa que só ela faz aqui em casa, já que eu desisti dessa tarefa na primeira semana de casada.

Elogia a faxineira pela casa cheirosa e limpinha, mas pega no pé se percebe que algo não está devidamente limpo (!!!). Final do ano passado, na minha maior crise de debandada das funcionárias domésticas, passamos o fim de ano na fazenda. Ela entrou na cozinha e tratou de contratar a cozinheira de lá! Uma maravilha que trabalha para a avó do meu Maridinho há 25 anos. Desfiz o negócio imediatamente e prefiro comprar congelado a essa briga em família.

Mas, como todas as mulheres, tem lá as suas TPMs crises e, outro dia, disse que seria uma advogada e mãe, mas que trabalharia à noite. Perguntei com quem ela deixaria os filhos e ela me respondeu:

- Ué, com a babá!

Exclamei, já com certa pena dos meus netos:

- Tadinhos! Só com a babá?

E ela solucionou a questão sem sombra de dúvida ou culpa:

- Não, com a babá E com a cozinheira.

*****

Ah, tá.

*****

O Joaquim, por sua vez, é um menininho muito filho meu, que sofro de TOC. A minha vida é extremamente regrada, disciplinada e organizada. Tenho ritual para acordar, dormir, almoçar, jantar, tomar banho, faço sempre os mesmos caminhos, ou seja, tudo bem chatinho controladinho. Se algo ou alguém me tira da rotina sem aviso ou planejamento prévio, pode dar tilt de verdade. Joaquinzinho é como a mamãe. Não suporta portas, armários e gavetas abertos ou mal fechados, já conhece a ordem das coisas em casa e, quando encontra algo guardado ou arrumado da maneira “errada” não sossega enquanto não “consertar”. Duro mesmo é quando a minha ordem é uma e a dele é outra. Imaginem um duelo de titãs obsessivos? Loucura, loucura, a gente vê por aqui.

Parte da rotina das crianças inclui jantar, fazer xixi, lavar as mãos e escovar os dentes. Todos os dias e mais ou menos no mesmo horário (eu tenho TOC, mas sou capaz de adaptar horários em finais de semana, férias e feriados, viu?!). Daí, que o menino Joaquim terminou de jantar e foi correndo dar continuidade à rotina, mas encontrou o Pedro na privada, então resolvi escovar os dentes dele ANTES do xixi. (Lembram do que eu disse um pouquinho mais pra cima? Isso aqui ó: Se algo ou alguém me tira da rotina sem aviso ou planejamento prévio, pode dar tilt de verdade). Pois deu tilt no menino! Ele escovou os dentes ANTES, fez xixi DEPOIS e daí foi lá e ESCOVOU OS DENTES DE NOVO!!! Claro, né?! Para voltar ao controle da rotina. TOC é assim mesmo.

*****

Já o Pedro, apesar de gêmeo, não tem nem um minuto de diferença do Joaquim, mas me traz a sensação do filho caçula, aquele em que a mãe é mais tranquilona, experiente e sossegada. Outro dia, um dia mais frio, durante a rotina do banho, tirei o menino do chuveiro, enxuguei e vesti com uma roupinha mais quentinha. Sabe aquele moleton velhinho, bem macio e delícia para dormir? Pois foi esse mesmo! Enquanto eu penteava os cabelinhos do rapaz, ele me abraçou, me deu um beijinho e disse:

- Que gostosa essa roupinha quentinha, Mamãe!

*****

Mãe período integral: das consequências, sequelas e resultados.

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BLOGUEIRA EM HOME OFFICE?

Eu quase posso me acostumar às mães que demonstram pena de mim. Afinal, três filhos relativamente pequenos e ainda muito dependentes não é para os de estômago fraco. Essas mesmas mães fazem competição de “dentes caídos” dos seus filhos, acham que curso de “biscuit” (é assim mesmo?) é fundamental para o crescimento e desenvolvimento saudável das crianças e defendem sapatilhas de couro de grife como o básico do básico para o uniforme escolar.

Incrível como as minhas rugas diminuem a cada dia, em proporção contrária ao aumento do meu sossego como mãe.

Eu poderia denunciar, botar o dedo na cara e reclamar um monte, mas não posso e nem quero. Eu não quero, pois fico extremamente feliz e satisfeita por constatar o nível de instrução e bom-senso das mães pertencentes à blogosfera materna. Alguém pode achar uma bobagem esse lance de blog, mas tem muita informação boa e importante circulando nos blogs e redes sociais, o negócio lá fora é que tá bem feio, minha gente!

E eu não posso, justamente por achar que devo preencher o campo de profissão/ocupação dos cadastros mais variados como “blogueira em home office”. Mas, por home office, você deve visualizar uma bela mesa de trabalho, com um computador, telefone, alguns gadgets, uma boa iluminação e uma cadeira de qualidade incontestável. No meu caso, tem uma mesa de jantar, que ganhou como anexo um notebook, cadeiras lindas e combinantes, mas zero confortáveis ou anatômicas à coluna um dia deteriorada por uma hérnia de disco da tal blogueira.

Um ambiente de “trabalho” assim, praticamente insalubre, levou a um travamento, tensão e muita dor na coluna, ombros e braços. Não há analgésico que dê conta, entrei com um pedido de afastamento, tenho um atestado de licença e laudo da Medicina do Trabalho devidamente carimbado e encaminhado.

Será que eu aguento isso tudo em nome da recuperação integral?

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O FILHO VOLTOU A FAZER XIXI NA CALÇA???

Verdade seja dita: que mãe nunca experienciou um comportamento regressivo de um filho? E, por comportamento regressivo entendam voltar a fazer alguma coisa que já não fazia mais por maturidade adquirida. Assim, quem nunca ouviu uma mãe dizendo que o filho voltou a usar chupeta, tomar mamadeira, fazer xixi na calça ou chorar ma porta da escola depois de uma linda e bem sucedida adaptação? Situações comuns, principalmente na época da chegada de um irmãozinho ou irmãzinha.

No meu caso, vivi um apego mega master blaster da Manu com a sua imensa coleção de chupetas quando o Joaquim e o Pedro nasceram. Normal, normalíssimo. Nem cheguei a me descabelar, uma vez que a chupeta era uma muleta e um acalma bebê poderoso. Hoje em dia, a chupeta mora no passado, ou melhor, no Pólo Norte, onde habita o bom velhinho de barba branca.

Com os meninos, nada regressivo… até umas semanas atrás.

Posso dizer hoje que tiveram um desfralde rápido e tranquilo, a fralda noturna então, mais fácil ainda, pois foi tirada quando eles já estavam bem condicionadinhos a não fazer mais xixi à noite. Quando dormiam de falda e sentiam vontade de ir ao banheiro, levantavam sozinhos, tiravam a fralda e faziam xixi na privada. Tudo beleza. Até algumas semanas atrás, como eu disse.

Os meus meninos, assim como grande maioria das crianças, têm aquele hábito de não querer de parar o que estão fazendo (leia-se: brincando) para ir ao banheiro e algumas escapadelas e molhadelas de cuequinhas são freqüentes.  O Pedro percebe na hora e corre para o banheiro terminar o serviço. O Joaquim, não. Faz tudo durante a brincadeira e continua brincando, nem se incomoda. O Pedro faz gracinha para o Joaquim, que literalmente molha as calças de tanto rir. Por mais que eu fique em cima, levando ao banheiro como se fosse um recém-desfraldado, não rola e escapa. Tive uma conversa mais séria com  Joaquim, no meio de uma festinha, ocasião em que ele fez xixi na roupa e acabou ficando sujo e molhado mesmo, pois carregar bolsa com troca de roupa para um moleque de quase 4 anos, é para os fracos, ou para as mães que não têm 3 filhos para carregar por aí, bagagem suficiente.

Voltando à conversa, descobri que o menino Pedro tem autorizado o menino Joaquim a fazer xixi na calça!!! Ele percebe que o irmão gêmeo mais velho tá lá se contorcendo de vontade, segurando o pipi e diz:

- Pode fazer, Quiquim!

E assim, ele faz xixi na cueca, na calça, na bermuda, na meia, no tênis, em casa, na festa, na rua, na chuva, na fazenda, ou numa casinha de sapê.

Daí, não sei  fico na dúvida sobre o que é pior: o comportamento regressivo ou a autoridade do irmão gêmeo mais novo ser maior do que a da própria mãe.

O que será que me aguarda num futuro próximo?  E num distante?

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A GALERA DA PRAIA

Então, o inevitável aconteceu: o que era para ser o cantinho da nossa família, um refúgio para os nossos finais de semana, pequenininho e acolhedor, foi invadido e dominado por mais crianças!

Temos um casal conhecido lá no condomínio da praia e eles têm uma menina fofa de tudo, já com 7 anos, quase 8. Bastou a pergunta: “você quer brincar comigo?” e, quando demos conta, Manuela já tinha a sua galera da praia. Detalhe: a amiguinha de 7, quase 8 anos, era a menorzinha da galera, que conta com uns meninos de 13 anos. Agora, incluam aí a Manu de 4, quase 5 e visualizem a caçula no meio dos grandões (Maridinho tendo o seu infarto #1).

Teve picolé na praia com a galera, baldão de pipoca com a galera, invasão da galera em casa para comer balas e chocolates, pega-pega da galera pelo condomínio, um entra-e-sai da galera em todas as casinhas do condomínio. Ou seja, todo mundo deixa as suas portas abertas, eles vão e vêm, as mães ficam todas acompanhando, assim meio espiando de longe e Maridinho tendo o infarto #2.

Consegui resgatar a minha filha toda suada, de bochechas cor-de-rosa-pegando-fogo, enfiei num banho e avisei que era hora de jantar. Claro que tivemos uma convidada para jantar e fizemos questão de montar a famosa “mesa das crianças”. Arrumamos tudo para a galera e fomos comer bem longe deles, mas de orelhas em pé prestando atenção na conversa. (Maridinho tendo o seu infarto #3).

O jantar mal terminou, ninguém quis saber de sobremesa, nem sendo um bolo de chocolate incrível, que restou a nós comer, e a Manu já levantou da mesa e saiu correndo lá pra fora avisando que ia encontrar os meninos. (Maridinho tendo o seu infarto #4).

A situação é toda meio “infartante” uma vez que a Manu é a “cotoca” da galera, mas nem por isso se intimida, pelo contrário. Lidera brincadeiras, não deixa ninguém falar, chamou os meninos de “turma da bobagem”, pegou folhinhas para fazer cócegas nos meninos grandes, reuniu todo mundo e ficou contando todo o seu repertório de piadas, ou seja, Maridinho tendo o seu infarto #5.

Já era de noite, estávamos arrumando as malas e carregando o carro para ir embora já que costumamos viajar na hora em que as crianças dormem. Então, eles viajam de xixi feito, dentes escovados e trabalhados nos pijaminhas fofos. No momento em que estavam prontos para ir embora, Manuela escapou de camisola lá pra fora para rever a galera. Maridinho tendo o seu infarto #6 me chamou a atenção:

- Vai lá e resgata a sua filha! Não vai deixar a menina de camisola no meio dos brutamontes meninos!

Chego lá fora e encontro toda a galera com os pais, fechando as malas e carregando os carros, todos de pijamas, dentes escovados e xixi feito.

Enfim, foi uma experiência muito legal por ver a nossa filha cotoca e caçula da galera tão à vontade, sociável, querida e aceita por um grupo de crianças com idades absolutamente heterogêneas. Acho que estamos, Maridinho e eu, nos recuperando de infartos sucessivos e sem grandes intervalos, mas tenho certeza que a Manu vai colher bons frutos dessa convivência, obviamente, com todo o nosso cuidado e supervisão, afinal ela ainda é pequena para a tão sonhada liberdade. Pode parecer que a mocinha ficou livre, leve e solta, mas havia sempre a supervisão de um adulto. (O Joaquim e o Pedro participaram menos, pois estavam com febrinha… mas já, já, eles também serão membros da galera!).

Bonitinho ver com as duas se tornaram, literalmente, melhores amigas de infância e a Manu saiu de casa, na segunda feira após esse fim de semana específico, me avisando que a “galera da praia” seria o seu assunto da roda na escola!

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